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08/12/2007 02:03
IGREJA E ÉTICA...
A verdadeira guerra espiritual do final do milênio (2T/98)
Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra os estratagemas do diabo - Efésios 6:11.
Bem aventurado aquele que não se condena nas coisas que aprova - Romanos 14:22b.
O que acontece quando uma gota de detergente cai numa tampa de
panela engordurada? Já parei para ficar observando de perto. Há
uma reação química violenta. O resultado é algo que não é mais
gordura nem detergente. Algo fácil de escorrer ralo abaixo.
Inerte, inativo, neutro.
Quero associar o tema da guerra espiritual a esse fenômeno
corriqueiro de toda cozinha.
Imagine, leitor, que sua alma seja essa tampa de panela. A cobri-
la, de forma protetora, há sua consciência, seus valores éticos e
morais, que é o óleo (no caso, inclusive, o óleo do Espírito
Santo) que a envolve. É essa tampa que o detergente do mal vai
querer destruir, através da neutralização do óleo. Veja que o
detergente não vai atuar diretamente sobre a tampa. Dela, a
ferrugem e a sujeira cuidarão. O detergente, enquanto estratagema
satânico, é apenas uma forma de neutralizar suas proteções
éticas. Neutralizada sua consciência cristã, o resto é fácil.
Aberto um buraco na sua armadura, chegar ao coração não será
problema.
A Gerra Interna
O apóstolo Paulo adverte os crentes de Roma sobre um tipo muito
sutil de guerra espiritual. Aquela em que nos condenamos nas
coisas que aprovamos. Mesmo que não cheguemos a ser os agentes
dessas coisas. Não se condenar naquilo que aprova, no pensamento
de Paulo, é um tipo de guerra de consciência, na qual o prêmio é
a própria alma. Trata-se de guerra espiritual das mais difíceis,
porque parece que não se quer atingir a tampa da panela. E o
óleo, ao nosso ver, não tem a menor importância. O que importa,
imaginamos, é nossa alma; os ataques à nossa ética não produzem
prejuízos, enquanto nossas almas estiverem intactas.
Não misturar detergente no seu óleo, no entanto, quer dizer não
permitir o derretimento de seus princípios e valores éticos. Quer
dizer não se permitir antimatéria espiritual. Isso porque, uma
vez diluídos esses "óleos", nossa alma está em perigo. Exposta às
corrosões. Vulnerável até a ataques internos, de nossas vontades
nem sempre muito corretas.
Detergentes Modernos
Apenas a título de exemplificação, gostaríamos de apresentar
alguns exemplos de como esse embate mortal atinge a igreja; em
particular, a igreja de nosso tempo. A igreja do terceiro
milênio. E muito em particular, os jovens.
O detergente cai no azeite quando, em nome da paz na igreja já não
discutimos mais com os irmãos. À primeira vista, isso parece bom.
O pastor vê com bons olhos a calmaria. Mas é terrível quando essa
paz provém da indiferença a que nos entregamos, que mata a igreja
mais do que a própria inimizade. Essa paz é enganosa, pois não
provém do Espírito, mas, ao contrário, do mundo. Essa ameaça, tão
moderna e corriqueira entre nós, parece-nos inócua e geralmente
invisível. Daí seu terrível poder de destruição da igreja; porque
destrói o que nos é mais caro: a comunhão; o corpo. A parede da
inimizade, destruída por Cristo (1) é reconstruída com material
sintético, transparente, altamente resistente: a parede da não-
amizade.
O detergente cai no azeite quando, em nome do bom andamento dos
trabalhos, já não participamos, nem reagimos a nada: não trazemos
mais problemas. Que maravilha, pensa o pastor. Aquele grupinho
que sempre agitava as reuniões e discussões; que vivia propondo
idéias e criando polêmicas, sossegou. À primeira vista, pode ser
bom. Mas se não provém de liberdade com caridade, mas de apatia,
então não é coisa de Deus.
O detergente cai no azeite quando, com medo da dor da separação,
da indiferença, da maledicência ou da traição, vamos nos
afastando dos irmãos e preferimos o discreto isolamento. O pastor
pode ver nossa atitude como de um promissor recolhimento
espiritual, ou um amadurecimento na direção da humildade e
mansidão, tal a nossa "discrição" na comunidade. Mas na verdade,
se estivermos falando de individualismo cansei da vida
comunitária e, ainda que permaneça na igreja, isolo-me e cuido da
minha própria vida estaremos diante de um dos maiores
detergentes do espírito de que se tem falado na história da
igreja. Isso porque, o individualismo é, quando compreendido e
vivido na forma como o mundo o propõe hoje, a negação da própria
Aliança marca registrada da igreja.
O detergente cai no azeite quando, em nome da paz que Cristo veio
trazer, desenvolvemos distância e indiferença em relação ao
sofrimento alheio. Sim, porque quando olho para um mendigo, acabo
perdendo a fome e a paz, impressionado que fico com sua condição
de miséria. "Mas não é para viver afligido que Deus me chamou. Ao
contrário, ele me chamou para a paz e alegria". Com esse tipo de
argumento não consciente, acabamos por evitar o contato com os
pobres, doentes, presos e oprimidos em geral.
O detergente cai no azeite quando, em nome do conforto e por causa
de um certo e indefinível cansaço, já não lutamos contra a
injustiça, a pobreza, a opressão, debaixo do nosso nariz. A gente
luta, fala, discute, mas não dá em nada. Melhor mesmo é cuidar da
nossa vida. Isso me lembra uma música que meu pai cantava: "De
manhãzinha olho pra rocinha/ Pra ver se às veis nasceu quarqué
coisinha/ Mas quar o quê não nasceu nada não/ Prantando nasce mas
não pranto não.//Ô vida marvada/ Num dianta fazer nada/ Pra quê
sisforçá/ Se não vale a pena trabalhá".
O detergente cai no azeite quando, em nome da liberdade, deixamo-
nos seduzir (olhe bem, não é convencer) por slogans paupérrimos,
tais como: pega bem fumar Dallas, ou "elas vão pensar que você
está nadando em dinheiro quando você chegar com uma bolsa da Le
Postiche". O detergente consiste em que não aceitamos mais
argumentações, porque o mundo de hoje não argumenta, seduz.
O detergente cai no azeite quando, em nome do direito ao
relaxamento e conforto, depois de um dia estressante, quedamo-nos
impassíveis diante da pornografia na televisão. Pornografia, por
definição, são imagens, sons ou sugestões, de natureza depravada,
que agridem nossa consciência de moralidade sexual.
O detergente cai no azeite quando, em nome do nosso direito de
provar tudo e reter o que é bom, passamos a vida "examinando" as
sugestões de "pegadinhas", "carecas" "ralas e rolas"
e "sexolândias" do Faustão, Gugu Liberato e outros "patriotas". O
pior é que examinamos tanto, que acabamos tendo que achar algo
bom, para justificar tanto exame. E acabamos nos convencendo
disso. Ou então, achamos engraçadas as sugestões veladas do bem-
sucedido "Casseta e Planeta", cujo símbolo é um bicho de maçã,
saindo do globo, numa clara e debochada alusão fálica que corrói
o mundo por dentro.
O detergente cai no azeite quando passamos uma tarde inteirinha de
domingo expostos a esse tipo de, digamos, inspiração, e depois
não compreendemos porque o culto da noite é tão fraco e pouco
espiritual; as orações tão entediantes, os testemunhos tão chatos
(quando os há), as crianças tão barulhentas, os corinhos tão
surrados etc. Nossa igreja está precisando de um avivamento...
(ainda bem que reservamos um bom filme na locadora, para terminar
o domingo e começar a semana bem relaxados: "os segredos íntimos
de Lola", ou "Diário de uma prisão de mulheres").
Por causa disso tudo, já nem nos envergonhamos quando assistimos,
junto com outras pessoas na sala, a senhorita Ilca Tibiriçá, da
novela da Globo, sonhar sonhos eróticos que, quando muito
poderiam ser apenas sugeridos, mas são minuciosamente apresentados
e interpretados, por meio de palavras e gestos, com objetivos de
realismo ou de fazer graça. É o meio de comunicação, que se
identifica com o homem da rua e fala sua linguagem. E, pilhados
em nossa poltrona, achamos engraçado. Ficamos como quem não pode
reclamar de uma piada indecente, porque não conseguimos conter o
riso, e o riso nos torna coniventes. O riso autoriza tudo, em
nossa cultura "popular".
Da Democracia à Pornocracia
Quando cai detergente no nosso azeite moral, já não há governo do
povo, mas governo da aberração, do erotismo, do indecente, da
tara. Tudo isso sutilmente instilado em sua alma. Sem violência,
sem agressão aparente. Até, naturalmente, você esboçar uma
reação. Aí a coisa muda. É mais ou menos como nadar rio abaixo.
Você só percebe sua força quando quiser mudar de direção.
Experimente se insurgir publicamente contra a imoralidade nos
meios de comunicação de massa, e verá a força do sistema. Você
será compelido a calar-se por forças intimidatórias de toda
natureza. A principal, no entanto, será a demonstração cabal de
que você já não é normal; não é dos nossos, não é moderno, não é
do nosso time. Você será levado a compreender que a aberração é
você!
Antes a nossa guerra fosse contra as visíveis e concretas feras do
Coliseu; antes a nossa guerra fosse contra as ideológicas e
humanas cortinas de ferro; antes a nossa guerra fosse contra
grosseiras ditaduras militares. Mas nossa guerra é contra
principados e potestades, contra espíritos dominadores, contra
estratagemas satânicos e sistemas de vida que jazem no maligno e
nos seduzem com uma volúpia irresistível. Nossa guerra, hoje,
primordialmente, é contra a sedução ou imposição do mal, contra a
conivência que contamina, contra a anuência que entorpece, contra
o "deliciosamente sensual" que nos fascina, contra o que hoje é
considerado por todos como natural. A normalidade da bancas de
revistas, dos motéis de alta rotatividade, dos bicheiros em
prisões de luxo, com telefone celular e tudo.
A Cilada do Sistema
O estratagema, no caso, leitor, é nos tornar tão acostumados com
tudo isso, que nossa mente já não reclame. O ataque ético não
começa com a mulher do Globeleza nua em pêlo, a cada intervalo;
ela vai tirando a roupa aos pouquinhos, por anos a fio. Quando
você percebe, até seu presidente da República está aparecendo
para o mundo inteiro ao lado de uma modelo sem calcinha, sem
nenhum problema.
O sistema só lhe pede uma coisa: não reaja. Porque, seja por
preguiça de levantar-se e sair da rodinha, seja por falta de
condições de discordar do amigo, seja porque já vai mudar de
programa na televisão, seja porque há artigos bons, também, nesta
revista Playboy, seja porque for, se você consentir em não ter
esse trabalho, ou incômodo, ou prejuízo, "nós fazemos o resto";
nós pegamos você. Em pouco tempo você já não será mais tão
ultrapassado e moralista. Este estratagema tem um nome técnico
nos meios intelectuais da comunicação de massa: anuência. E a
anuência está para a aprovação assim como a permissão está para a
ordem. Estão tão próximos que você nem perceberá quando tiver
feito a passagem.
Bem-aventurado aquele que não perde essa guerra pessoal,
permitindo que o inimigo derreta, como quando o detergente cai no
óleo, as defesas da sua alma.
(1) Efésios 2: 2:14
Texto copiado do site http://www.amorese.com.br/OBRAS/PUBLICADOS/Publicados36.html

enviada por sunshine
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